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Rio Grande do Sul deve registrar a menor área cultivada com trigo em nove anos, aponta Conab


 

 

A safra de trigo 2025/26 começa com um cenário de cautela para os produtores gaúchos. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá registrar a menor área semeada com trigo dos últimos nove anos, reflexo de um conjunto de fatores econômicos e climáticos que influenciaram o planejamento das propriedades rurais.

 

 

O Rio Grande do Sul, responsável historicamente por aproximadamente metade da produção nacional do cereal, acompanha essa tendência. Muitos agricultores optaram por reduzir o cultivo de trigo nesta temporada devido aos baixos preços praticados nas últimas comercializações, ao elevado custo dos insumos, às dificuldades de comercialização enfrentadas nas safras anteriores e à busca por culturas de inverno com maior potencial de rentabilidade.

 

De acordo com o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab, a área cultivada com trigo no Brasil está estimada em cerca de 2,6 milhões de hectares, representando uma redução em relação à safra passada e consolidando o menor volume de área destinada ao cereal desde 2017.

 

Outro fator que influenciou a decisão dos produtores foi o cenário econômico. Apesar da estabilização dos preços de alguns fertilizantes em comparação aos anos anteriores, os custos de produção permanecem elevados quando comparados à remuneração esperada da cultura. Além disso, muitos agricultores ainda enfrentam reflexos das dificuldades de comercialização da safra anterior, marcada por grande oferta, preços pressionados e menor liquidez do mercado.

 

No Rio Grande do Sul, as condições climáticas também pesaram no planejamento. Após anos consecutivos de eventos extremos, como estiagens prolongadas e enchentes, muitos produtores adotaram uma postura mais conservadora, reduzindo investimentos e priorizando culturas consideradas mais seguras financeiramente.

 

Clima pode favorecer a produtividade

 

Apesar da redução na área cultivada, as perspectivas para o desenvolvimento das lavouras são positivas. Conforme o monitoramento da Conab, as chuvas registradas no início da implantação favoreceram a semeadura em diversas regiões produtoras do Sul do país, proporcionando boa emergência das plantas e estabelecimento inicial das lavouras.

 

Caso o clima permaneça favorável durante as fases de perfilhamento, florescimento e enchimento dos grãos, a expectativa é de que a produtividade média seja superior à observada na safra anterior, compensando parcialmente a redução da área cultivada.

 

Especialistas destacam que a adoção de um manejo adequado, com atenção à fertilidade do solo, ao controle de doenças, à escolha de cultivares adaptadas e ao monitoramento constante das lavouras, será determinante para que os produtores obtenham bons resultados nesta safra.

 

Planejamento será decisivo

 

Mesmo diante de um cenário desafiador, o trigo continua sendo uma cultura estratégica para o Rio Grande do Sul, tanto pela importância econômica quanto pelo papel desempenhado na rotação de culturas e na conservação do solo.

 

Nesse contexto, o acompanhamento técnico, o planejamento da propriedade e a adoção de tecnologias que aumentem a eficiência produtiva tornam-se ainda mais importantes para reduzir riscos e aproveitar as oportunidades que podem surgir ao longo da comercialização da safra.

A expectativa do setor é de que, caso a produção nacional seja menor e a demanda permaneça aquecida, os preços possam apresentar recuperação durante o período de colheita e comercialização, trazendo melhores perspectivas aos produtores gaúchos.

 

 


Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 9º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos 2025/26 e Boletim de Monitoramento Agrícola. Disponível em: https://www.gov.br/conab. Acesso em julho de 2026. 

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